Título: O Roubo de Espadas (#1 de Revelações de Riyria)

Nota: ⭐⭐⭐

O que um bom livro de alta fantasia precisa? Não sei você, mas sou apaixonada por histórias com um mundo bem desenvolvido, cheio de cultura e vida própria. Bons personagens e um pano de fundo bem construído também são fundamentais… E é tudo isso que falta em Roubo de Espadas.

Veja bem, não quero dizer que o livro é ruim. A verdade é que o autor sabe como construir uma boa história e tem uma técnica que poucos autores de fantasia possuem. O tempo inteiro você fica ansioso para saber quais serão os próximos passos do personagem, e isso torna a leitura ágil.

Porém, o autor peca em pontos fundamentais e pode decepcionar, principalmente, as leitoras mais exigentes. Quer descobrir o porquê? Me acompanhe nos próximos tópicos e compartilha a sua opinião comigo. 💙

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Roteiro de Hollywood em um mundo mágico

O livro acompanha a história de Royce Melborn e Hadrian Blackwater, dois ladrões que fizeram história realizando roubos considerados impossíveis. Não há nada que possa impedi-los de pegar alguma coisa: nem mesmo o cofre mais poderoso do mundo é capaz de segurar estes dois. Tipo um Lupin que manda muito bem com espadas, no meio de um mundo mágico, sabe?

Podemos resumir os protagonistas em seres misteriosos, brincalhões e, bem, anti-heróis inveterados. Basicamente, o tipo de personagem que atrai encrenca para onde quer que vá. E é o que acontece o tempo inteiro durante Roubo de Espadas: tudo começa a dar errado quando os protagonistas são chamados para um trabalho que acaba com uma pessoa morta, transformando os 2 nas pessoas mais procuradas do reino.

Esse incidente acaba por levar os protagonistas para dentro de um enredo confuso que permeia o mundo de Elan, em que a igreja controla tudo. A luta por poder em Elan é suja, e o leitor tem a impressão de que nada e nem ninguém é tão santo quanto diz. Hadrian e Royce se veem, então, no meio de toda essa intriga, sem saber exatamente quem são seus aliados ou inimigos.

Esse parece o começo de uma aventura emocionante, certo? Poderia ser, se não fosse o ritmo alucinante que o autor coloca na narrativa, criando e resolvendo os problemas de forma tão rápida, que logo mais os personagens já estão envolvidos em outro tipo de aventura. Isso dá uma quebra no ritmo de leitura, já que, quando a história começa a ficar boa, ela é “resolvida” e o autor começa uma nova aventura.

Personagens que tinham tudo para cativar…

… Mas faltou profundidade. Na maior parte do tempo, senti como se estivesse lendo 2 personagens genericos do tipo engraçadinhos. O típico personagem de uma partida de RPG, cheio de diálogos irônicos. Nem sempre isso é necessariamente um problema, mas um personagem com pano de fundo mal desenvolvido tem muito menos chances de agradar os leitores um pouco mais exigentes, como eu.

Em boa parte do tempo, os personagens sequer tinham um passado. Pareciam uma folha em branco, aventureiros que possuiam um nome lendário, mas nada além disso. A coisa mudou de rumo durante a segunda metade do livro, quando o autor apresenta de forma sutil os detalhes que formam o pano de fundo dos protagonistas.

Mas, para ser sincera? Há tantas pontas soltas sem nenhum contexto, que não fiquei com a mínima curiosidade de ler o segundo livro da série. O autor fez tanto mistério com a história dos protagonistas, que não me deu detalhes significativos o suficiente para despertar minha vontade de continuar lendo. 🤷‍♀️

Mistérios e pontas-solta

As últimas 100 páginas do livro são incríveis, cheias de mistérios e pontas-solta que colocam uma pulga atrás da orelha do leitor. Só nesse momento começamos a entender um pouco mais sobre o passado de Royce e Hadrian, e as pistas colocadas pelo autor fazem o leitor criar milhares de teorias sobre como estes dois personagens podem estar com o destino traçado – muito mais do que imaginam.

A impressão que tive é a de que o autor demorou demais para apresentar os mistérios e pontas-soltas para o leitor, transformando as 500 primeiras páginas do livro em uma grande e chata introdução para uma história que só vai começar, de fato, no 2º livro.

Quando os mistérios começam a deixar o livro interessante, despertando (finalmente!) o interesse do leitor, o autor decide parar. Essa quebra de ritmo pareceu ter o objetivo de “obrigar” o leitor a ler o 2º livro para descobrir onde a história vai parar.

Na prática, essa mudança de ritmo só pareceu abrupta e vazia. Faltou profundidade no mundo, nas personagens (sobretudo secundárias) para fazer com que esses mistérios, plantados pelo autor no fim do livro, guiassem o leitor para a continuação da história.

No fim, Roubo de Espadas não foi o pior livro de fantasia que li, mas está muito longe de ser a melhor. O autor é talentoso e escreve bem; porém, ele parece ter perdido pouco tempo aprofundando o mundo e suas personagens. Isso transformou o livro em uma fantasia morna, bem menos emocionante do que poderia ser.

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