Lori Foster é uma daquelas autoras de romance de banca fáceis de ler. Criativa e com protagonista femininas bem diferentes e cheias de personalidade, certamente o que atrai na narrativa da Foster são as suas histórias fora da curva, com mulheres com super poderes (sério!), mercenárias badass e outras.

É sério, sou completamente apaixonada pelas narrativas envolventes da Lori Foster… Por isso mesmo, eu não imaginava a decepção que me esperava em Uma Amante Maravilhosa. Quem diria que depois de ter lido uns 15 livros da Foster ela me decepcionaria? Ou talvez tenha sido exatamente a minha alta expectativa que destruiu parte de minha experiência de leitura com este livro aqui.

Mas uma coisa é fato, Uma Amante Maravilhosa é problemático e traz tantos aspectos negativos que é difícil até mesmo concluir a leitura. Não é nem mesmo um único fator que torna a leitura tão desgastante e eu juro que poderia ficar horas aqui citando defeitos do livro (risos!).

Mas, acredite, não estou aqui para simplesmente reclamar de uma leitura ruim… A verdade é que muitos dos pontos problemáticos que enxerguei nesta obra da Foster são comuns em muitos outros romances de banca, o que até deu uma fama bem negativa para o gênero. Quer descobrir quais são esses pontos? Me acompanha nessa resenha com cara de artigo e depois me diz sua opinião sobre.

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Protagonista feminina interessante mas subutilizada

Tudo começa com a nossa protagonista, a jovem Wynn, que está de mudança para uma nova casa. É assim que ela conhece o seu vizinho, Zack e sua filhinha encantadora. Tanto Wynn quanto Zack não querem ceder à “irresistível” tensão sexual que os toma praticamente no mesmo momento em que se conhecem.

O problema? Zack é um babaca. É um daqueles homens que acham que existe um tipo de mulher perfeita, que ela deve ser mais baixa que o homem, ser delicada e cuidadosa.

Bem, Wynn é o extremo oposto disso, com seus 1,80 de altura, hobbies inusitados que incluem malhar junto com os amigos de seu irmão e totalmente descuidada. O que Zack mais faz é criticar os hábitos da Wynn e reafirmar o tempo inteiro que a sua filha precisa de uma mãe, e não de uma “mulher como esta”.

Machismo escrachado nos romances: até quando?

Nem preciso dizer muito mais para ficar claro o principal problema do livro, não é? Foster é quase sempre cuidadosa com essas questões, tentando tornar a interação entre os casais de seus livros o menos machistas possível, mas ela errou muito na mão quando escreveu Uma Amante Maravilhosa.

O engraçado é que várias vezes a própria Wynn denuncia o comportamento machista de Zack, e ele mesmo tem noção de que os comentários que faz são babacas. Mas, ainda assim, não muda o seu comportamente e continua com seus pensamentos retrógrados até os últimos segundos do livro.

O mais triste é que isso é muito comum nos romances de banca. Sou uma grande defensora do gênero e da variedade de discussões que ele traz para a mulher, mas o machismo escrachado e desmedido ainda é um problema grave.

Muitas autoras caem no mito perigoso de que “tudo que a mulher contemporânea quer é voltar a ser submissa a um macho alfa”. O sucesso de romances como Cinquenta Tons de Cinza são usados como justificativa para esse absurdo e tornaram o mercado brasileiro ainda mais aberto para esse tipo de romance.

O que a mulher quer de verdade é se sentir representada. E essa representação variada é algo que os romances de banca conseguem fazer muito melhor do que os best sellers, trazendo protagonistas femininas com doenças como a fibromialgia ou deficiência visual, por exemplo, ao mesmo tempo que discutem temas como aborto, abandono paternal e outros.

O (infeliz) padrão dos romances de banca dos anos 2000

Outro ponto que não posso esquecer de falar, e que tornou a leitura de Uma Amante Maravilhosa ainda mais complicada, é o formato (infeliz) dos romances de banca dos anos 2000. As edições brasileiras dos livros da época podem deixar qualquer leitora louca.

Havia um preconceito na época de que romances de banca precisavam ser histórias extremamente curtas, com no máximo 200 páginas em um formato de livro de bolso. Para alcançar esse padrão, então, as histórias sofriam cortes bruscos na narrativa, e isso fica aparente em livros como os da Lori Foster.

A autora costuma ter uma narrativa descritiva e insere o leitor de cabeça nos sentimentos dos personagens. Mas Uma Amante Maravilhosa sofreu tantos cortes, que a impressão que fica é de que tudo foi muito corrido e mal explicado.

O avanço do casal rumo a um entendimento foi irreal, justamente por ter sido rápido demais ali nas últimas 5 páginas do livro. SIM, o casal passa 215 páginas brigando, para se resolver nas últimas 5 como se nada tivesse acontecido.

Acredito que isso foi culpa muito mais da edição brasileira do livro do que da Lori Foster, mas fica aí a reclamação (risos). Se você está procurando um romance de banca curtinho e divertido, (com uma protagonista que é uma agente secreta mercenária!) recomendo Paixão Inesperada, da Lori Foster.

E então, já se incomodou com o machismo em algum romance? Tem algum livro muito bom que você não pode deixar de recomendar? Deixa aí nos comentários. 💙

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