Título: O Grande Gatsby

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

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O Grande Gatsby é um daqueles livros complexos em sua simplicidade. É interessante o quanto a essa narrativa direta e ágil do autor pode enganar o leitor, levando à crença de que tudo é “cru” e muito fácil de entender. Ledo engano. O risco é você avançar por toda a história rapidamente seguindo o ritmo rápido do autor, sem parar para prestar atenção nas entrelinhas.

É nos detalhes, nos espaços subentendidos entre as vírgulas do texto, que está o grande sumo da história. E isso é incrível.

Incrível o suficiente para fazer você ler o livro 5 ou 10 vezes, e ainda assim encontrar novas facetas e detalhes que não havia notado antes. Talvez por isso falar sobre o livro seja tão difícil para mim, que só o leu uma vez.

A sujeira de uma sociedade hipócrita

A narrativa, ainda que muito simples, possui várias camadas e explorar todas elas leva tempo. É um fato que é muito difícil enxergar a totalidade dessas camadas em apenas uma leitura, principalmente se você leu a obra como eu: ansiosa, sorvendo cada detalhe para compreender o misterioso Gatsby.

É difícil não se sentir sufocada durante a leitura, vez ou outra. Como uma obra que data do século passado e fala do glamour fedido da burguesia de 1920, esse é um daqueles livros em que você vai entrar de cabeça nos lados feios da sociedade. Machismo, racismo e hipocrisia são destacados durante a história, enquanto somos apresentados às personagens.

“Eles eram descuidados, Tom e Daisy. Arruinavam seres e coisas e depois se refugiavam no seu dinheiro ou na sua enorme negligência.”

— O grande Gatsby, p.158

Tudo começa com o nosso protagonista, o Nick Carraway. Um cara comum, sensato até certo ponto, confuso em muitos outros. Ele é um mero figurante na própria vida, e sabe disso. Nada mais do que um personagem secundário.

E é exatamente o papel dele nessa história. Você pode estar lendo o livro inteiro sob o ponto de vista do Nick, mas é muito óbvio que o protagonista da história é outro. Quando ele se muda para a casa ao lado da mansão surpreendente de Jay Gatsby, não imagina que seria fisgado para o redemoinho de festas e loucura da alta sociedade.

Mas foi. E não o foi por gostar do ambiente que Gatsby criava em suas festas suntuosas e milionárias, mas porque começou a ficar intrigado com a figura do próprio anfitrião. Reservado, quieto e aparentemente deslocado no meio da histeria que eram as festas da alta sociedade da época.

“Um vazio súbito parecia agora fluir das janelas e das grandes portas, conferindo uma impressão de total isolamento à figura do anfitrião, que de pé na varanda erguia a mão num gesto formal de adeus.”

— O grande Gatsby, p.56

Afinal, quem era Gatsby? Como ele conseguira toda aquela fortuna? Qual a sua história, o que fizera parte de seu passado?

Todas essas perguntas rondam a cabeça de Nick o tempo inteiro, e talvez por isso ele se viu impelido a continuar frequentando as festas estranhas do Gatsby, ao ponto do mesmo o considerar o seu único amigo.

O mistério por trás do verdadeiro protagonista

É impossível parar de ler depois que a narrativa engrena e o leitor se vê preso na teia de personagens e mistérios… Mas, mesmo assim, a leitura é extremamente complexa, e o detalhe apresentado em uma frase pode trazer reviravoltas fundamentais na forma como você enxerga cada personagem.

Ao mesmo tempo em que tem tantas camadas, o livro tem uma narrativa leve e rápida. Em uma única sentada você consegue ler o livro inteiro — e muito provavelmente é isso que vai fazer. E tem um bom motivo para isso.

A figura misteriosa do Gatsby seduz e confunde o tempo inteiro. Tem algo no personagem que soa como uma eterna frase interminada, dita pela metade. A curiosidade quanto a “outra metade”, o que não foi dito, torna a leitura acelerada. Você só quer engolir mais e mais páginas buscando entender quem, de fato, é o Gatsby.

Sinceramente, é esse embate entre uma narrativa rápida, mas cheia de detalhes e metáforas cuidadosas, que torna esse livro tão incrível.

Até o fim, o autor consegue segurar o mistério em volta do Gatsby, esse herói que pode muito bem ser um anti-herói também; esse homem apaixonado, convicto, sonhador. Ele busca tão desesperadamente a utopia de um futuro que já não pode existir, que não percebe o quanto pode estar preso ao passado, e nem mesmo o quanto é permissivo com o lado feio da sociedade em que vive.

“E assim avançamos, barcos contra a corrente, incessantemente empurrados de volta ao passado.”

— O grande Gatsby, p.158

Esse não é um livro de sentimentalismo profundo e nem de grandes emoções, porém. Você sente a solidão, a dor de estar preso ao que não volta mais, e até mesmo a traição, o nojo, a raiva… Mas nada disso é entregue ao leitor de forma profunda, principalmente porque os próprios personagens carecem de profundidade. E isso foi proposital.

Sinto que o grande propósito do autor foi nos apresentar um retrato caricato, mas extremamente verdadeiro, de uma sociedade movida pelas aparências e pelo dinheiro. Uma sociedade levemente histérica, profundamente superficial. Os diálogos mostram isso, e o ritmo do livro nos leva para um vazio existencial que faz parte da sociedade — seja em 1920, seja hoje.

Por esse motivo, e muitos outros, vou voltar a este livro algumas vezes até compreender as diversas camadas que o autor colocou aqui. É um livro bem escrito, com traços de autobiografia que torna a obra curiosa. Não é o livro perfeito, mas dá para perceber o porquê é considerado um clássico.

E você, já leu O Grande Gatsby? O que achou da leitura? Vou amar ver um pouco do seu ponto de vista sobre a leitura 💜

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3 comentários em “A hipocrisia da sociedade e o livro O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

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