Título: Blade Runner – Andróides sonham com ovelhas elétricas?

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

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Muito antes de começar a ler Blade Runner: Andróides sonham com ovelhas elétricas? eu já sabia que amaria o livro. Senti isso só de ler a sinopse, só de lembrar de todo o turbilhão de emoções que os filmes me causaram.

É interessante notar como o autor usou muito de suas paranóias e medos para construir essa obra. Como muitas outras do gênero, esta aqui não é propriamente uma aventura regada à armas laser e sabres de luz; é muito mais uma discussão sobre o que a sociedade será (e já é).

Talvez isso afaste alguns leitores, que esperam uma narrativa muito mais ágil e movimentada. Não, o autor costurou essa história com esmero e nos entrega uma narrativa que nos faz entrar de verdade na cabeça do protagonista.

Isso significa que em muitos momentos você, leitor, se sentirá tão confuso e desamparado quanto o protagonista. Não é um livro de respostas, mas, sim, de esperança e desespero e dúvidas e mais esperanças, em um mundo em que tudo o que você precisa para se tornar digno é ser um ser vivo capaz de procriar.

Os perigos de uma Terra estéril

O mundo de Andróides sonham com ovelhas elétricas? é um punhado decadente do planeta Terra, destruído completamente por uma guerra que trouxe um grande desastre biologico.

Por isso, boa parte da população saudável e capaz de procriar emigrou para Marte, enquanto os afetados pela poeira radioativa que tomou o mundo e alguns poucos permaneceram na Terra.

“Emigre ou degenere! A escolha é sua!!

– Blade Runner: Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?, p.23

Rick foi uma dessas pessoas. E em um mundo tão estéril, uma das únicas coisas que o mantém focado no trabalho é o seu sonho de ter um animal de verdade; talvez, uma ovelha viva para substituir a elétrica que ele possui em casa.

Este é um mundo estranho, tomado pela religião e necessidade de manter um status quo. A essência da religião que guia os terráqueos desta Terra ressequida é que você só é digno quando cuida de um animal vivo.

E Rick, como um caçador de recompensa que é, está disposto a “aposentar” quantos andróides for preciso para conquistar o seu sonho e se sentir digno.

O que nos torna humanos?

É nesse embate entre humanos e andróides revoltados que a história ganha vida de verdade.

O quão perigoso pode ser um mundo em que máquinas que sentem e pensam como humanos, valem, na verdade, muito menos do que um rato vivo? E quando esses andróides já são tão parecidos com os humanos, que o limiar entre o orgânico e a máquina parece (quase) invisivel?

Posso dizer que o coração do livro corre em volta dessas duas questões. Rick descobre que a linha que separa andróides e humanos anda tão tênue, que nem ele mais sente a consciência limpa ao “apagar” um andróide.

Mais do que isso, ele começa a questionar a própria humanidade (dele, dos outros e até dos andróides). Como caçador de recompensa da polícia, ele aplica um teste de empatia que seria capaz de diferenciar um andróide de um humano. Mas será que é capaz mesmo?

“Você será requisitado a fazer coisas erradas não importa para onde vá — disse o velho. — É a condição básica da vida, ser obrigado a violar a própria identidade.”

– Blade Runner: Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?, p.185

Será que é a empatia de fato que nos torna humanos? E o que dizer dos humanos com transtornos ou doenças que afetam a capacidade de empatia; elas não são humanas?

Afinal, os andróides sonham com ovelhas elétricas?

E todas essas dúvidas culminam na grande pergunta que dá nome ao livro. Afinal, assim como os humanos, os andróides também possuem sonhos? Também desejam tão intensamente algo que são capazes de fazer qualquer coisa para tê-la?

A pergunta que dá nome ao título pode parecer solta. Mas a verdade é que esse é um daqueles livros que você precisa ler muito atentamente, dando atenção a cada frase que o autor diz para ver sentido em toda a proposta do livro. O título do livro diz muito sobre a história.

Fiz isso, e foi uma experiência incrível. O autor não me deu respostas, mas com as poucas pistas que ele entregou, consegui criar minhas próprias teorias e isso tornou a leitura bem rica.

E o filme?

Bem, a pergunta que não quer calar. Okay, mas e o filme Blade Runner? Devo ler o livro antes de ver o filme? Ter assistido o filme afeta a experiência lendo o livro?

Olha, aqui é que está a coisa interessante. Apesar do livro ter inspirado o filme e ambos se passarem no mesmo universo, com as mesmas personagens, a verdade é que a história de ambos são diferentes.

É como se o filme e o livro se complementassem, mas sem nunca atropelar um ao outro. O máximo que vai acontecer é você se decepcionar com o ritmo do livro, esperando uma experiência mais ágil como a do filme.

No livro, você vai ter uma visão muito mais ampla sobre como funciona a religião Mercerista nessa Terra destruída, e vai entender os efeitos que a fé tem nesse punhado de terráqueos desiludidos. Só mais uma das coisas que o filme deixa de lado.

“Mercer disse que aquilo que fiz era errado, mas que eu deveria fazer de todo modo. Realmente estranho. Às vezes é melhor fazer o errado do que o certo.”

– Blade Runner: Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?, p.247

No mais, não quero dizer muito mais do que disse aqui. Imagine tirar de você todo o prazer da surpresa que a leitura proporciona? Jamais!

Só posso dizer que, se você é amante de uma boa ficção cientifica e quer navegar um pouco na mente louca do autor, vai curtir muito essa leitura.

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4 comentários em “Resenha | Blade Runner, de Philip K. Dick

  1. Amei a resenha! Me deu mais vontade ainda de ler esse livro que constantemente fico postergando a leitura. A questão “o que nos faz humanos?” sempre me interessou e gosto de histórias com esse pano de fundo.

    O filme é algo que eu gosto muito, talvez esteja na minha lista de top 5 favoritos e até mesmo pra um filme de ficção científica eu o acho com um ritmo cadenciado e até mesmo poético, o que me agrada bastante. Gosto da ficção científica que vai além do estranho, que vai pro lado filosófico.

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    1. Se você gosta de Ficção que vai para o lado filosófico, vai gostar bastante desse livro! Ele complementa bem o filme e ajuda a entender melhor o universo de “Blade Runner”.

      Vou esperar a sua resenha pra gente trocar ideia sobre o livro 💜

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