Sabe quando você percebe que tem algo de muito errado acontecendo com isso que chamamos de vida? E nem estou falando dos problemas políticos e sociais que parecem guiar o país rumo à merda. É outra coisa. (E essas já são ruins o bastante, né?).

Quantos hábitos (bons, aconchegantes) precisamos perder até nos darmos conta de que somos escravos? Escravos do tempo, escravos da inexistência de vontades e da falta de vida própria. Quanto tempo é necessário para que você – na verdade, eu – perceba que está onde nunca desejou estar?

Essas perguntas rondaram minha mente com um tanto de mágoa, raiva ou talvez até receio daquilo que o mundo é. Quando olhei para minha vida, percebi que tinha perdido vários elos poderosos, que considerava alicerces de minha existência. É estranho, não é?

Só posso dizer que notar isso foi como um soco dolorido na cara. Um desses elos perdidos foi a leitura, outro, a escrita, um mais, foi a vontade de olhar ao meu redor e enxergar fantasia nesse mundo cinza que nos cerca.

A verdade em sua essência mais sutil é apenas uma: me tornei escrava do relógio do mundo; esse mesmo, que toma conta de sua vida, primeiramente, de maneira sutil, até que você afunde em tudo que ele é sem se dar conta disso.

O maior sinal da escravidão? O tempo passa e você sente que não fez nada além de dormir e trabalhar.

Então, quando você menos espera, já passou-se 2 ou 3 anos. Só desse ciclo, um aglomerado de falta de lembranças. Você sente que não construiu nada para si, por si.

Foi então que comecei a aceitar 2 coisas, principalmente no que diz respeito aos meus hábitos de leitura e escrita:

1. Não preciso seguir o tempo do mundo (nem serei tão punida por isso, quanto pensava)

O tempo do mundo é aquele que diz que você precisa fazer tudo pelo trabalho, faculdade e pessoas. Mas deixar de segui-lo não traz tantas consequências negativas quanto minha ansiedade me fazia acreditar… Fato, é: o mundo não acaba porquê você deixou de cumprir um prazo impossível.

Em outro texto, um sobre o livro A Arte da Não Conformidade, eu até já tinha falado que uma das chaves para ser mais feliz é passar a dizer não para o mundo. Comecei meu projeto de felicidade (no nível em que posso alcança-la) ali, mas percebi que mesmo dizendo não para muitas coisas, eu continuava angustiada por causa do tempo do mundo.

Quanto à isso, agora só consigo pensar: aí, FODA-SE o que o mundo quer. Foda-se se a sociedade acha que eu deveria estar formada na universidade, se eu deveria ter um emprego melhor (ou pior) ou se acha que já “está em tempo de pensar na casa própria”.

Se estes nunca foram meus sonhos, porque preciso me angustiar por isso agora?! No fim, o que tenho dito há alguns meses, mas continuo repetindo como um mantra: faço o que está dentro do meu possível e antes de ultrapassar os limites do meu bem-estar.

2. Posso reconstruir minhas prioridades AGORA mesmo

O mundo, nem o contexto em que estamos, vai mudar. Bem, pode ser até que o contexto mude uma vez ou outra no decorrer de nossa existência, mas o caso é que não precisamos esperar essa mudança ocorrer para então termos nossas próprias prioridades.

Eu não preciso esperar ter um emprego melhor, um salário maior ou uma casa mais estável para, então, passar a ter como prioridade as coisas que me fazem bem. Meus hobbies, meus sonhos, meus projetos… Tudo isso eu posso começar desde já – priorizar desde já -, independente do mundo.

E você também pode começar tudo isso agora, sabe? Falei sobre mim durante todo o texto, mas, no fundo, escrevi palavra por palavra com a esperança de que elas falassem com alguém nesse vasto universo. Talvez alguém que se sinta tão perdido quanto eu. Alguém com tantos sonhos quanto, que ame seus hobbies, também, tanto quanto…

E se nós não tivermos todo o tempo do mundo? Não percamos essa temporalidade (tão abstrata, tão perdida) com o vazio. Vamos ouvir menos o mundo e mais a nós mesmos?

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