Saudações!
                Fiquem com mais uma resenha, e, se já leram ou querem ler, comentem!
Longe Daqui

Autora: Amy Bloom
Editora Nova Fronteira
 222 páginasSinopse: Longe Daqui é a história íntima e épica de Lillian Leyb, uma heroína acidental. Ao perder a família num pogrom russo, vai para os Estados Unidos sozinha, determinada a seguir em frente numa nova terra. Quando recebe a notícia de que a filha, Sophie, talvez ainda esteja viva, Lillian embarca numa verdadeira odisséia que a leva do mundo do teatro iídiche, no Lower East Side de Nova York, ao distrito do jazz de Seattle e, em seguida, ao Alasca, passando pelo lendário Telegraph Trail, rumo à Sibéria. Essa surpreendente viagem, conduzida pelo amor materno, faz de Longe daqui um romance belo e arrebatador, que cativa imediatamente o leitor. 

Resenha

Eu não esperava muito do livro. Já ouvi diversas pessoas falarem negativamente da obra, e acho que isso tem a ver com a narrativa confusa e de difícil leitura, que foi tecida quase que descuidadamente pela escritora. Não sei se deixar o leitor confuso era o objetivo da Amy Bloom, mas posso te dizer que é isso que ela consegue fazer durante mais da metade do livro. Dois ingredientes imprescindíveis para ler esse obra: atenção e paciência.

     “Perdi minha juventude feito um jogador com cartas ruins”

                Longe Daqui não é um romance romântico. Melhor dizendo, Lilian Leyb, nossa judia protagonista, não é romântica. Ela não acredita que o mundo será melhor e mais feliz, ela não nutre esperanças tolas; o mundo é o que é, e ela sabe que não pode mudá-lo. Quando, num dia fatídico, toda sua família é morta por não-judeus, apesar de todas as lagrimas e toda dor, ela seguiu em frente. Foi morar na América e lutou pela sua triste sobrevivência, já sem família, sem marido e, o pior de tudo, sem sua filhinha – a Sophie. Ela aprendera a dar seu corpo como moeda de troca por coisas, aprendeu a roubar dos mais ricos e a enganar as pessoas… Sim, essa é nossa Lilian.
               Porém, por mais sem esperanças que fosse a Lilian, foi impossível não deixar que uma fresta de luz entrasse em seu coração quando uma prima (que ela achava que estava morta) chega até ela e lhe dá a noticia: sua filha, Sophie, está viva, e morando no Alaska. Assim, Lilian decide deixar para trás tudo o que tem, que não é muito. Para ter sua filha de volta, ela larga seu noivo, seu amante (que, pasmem, é pai do noivo), e deixa para trás as poucas amizades que conseguiu fazer; sem muito dinheiro, ela parte rumo ao Alaska. E o livro irá contar o seu trajeto até lá, as pessoas que ela encontrou, os amigos que fez e as dificuldades que passou. Para entender essas personagens – tal como a própria Lilian -, acho bom que você deixe de lado seus preconceitos e lembre que aquela era uma outra época, com outros conceitos.  

         “O pai de Chinky dizia à ela o tempo todo, Não finja ser – seja.” 

                O que achei impressionante foi a impessoalidade adotada durante toda a estória, fazendo com que todo o drama passado por Lilian não fosse tão dramático – e desculpe a grade redundância. Os personagens não são bons ou maus, são apenas humanos falhos e cheios de dores passadas. Enquanto alguns podem achar essa impessoalidade nos personagens uma coisa boa, acho que isso também pode ser um ponto negativo; afinal, se a única beleza do livro era o drama, por que tirar dele justamente o que o faria mais tocante? Não vejo sentido num livro notadamente “dramático” sem o merecido drama.
                Quanto à narrativa… Devo dizer, minha opinião quanto à ela varia muito. O livro todo é narrado em 3ª pessoa, deixando os sentimentos dos personagens bem de lado no decorrer da estória. Horas, a narrativa me parecia simplesmente genial; porém, depois, eu me sentia confusa, sentia que cenas do livro foram roubadas de mim sem que eu percebesse. Foi corte feito pela editora? A autora achou melhor não pôr no livro aquelas cenas que deveriam conectar duas partes diversas da estória? Não sei. Receio que tenha sido escolha da própria autora, tendo em vista o modo como ela construiu o restante da confusa narrativa.

       ” ‘Vivemos e amamos o mundo’, pensa Lilian, ‘e nos enganamos achando que o mundo corresponde ao nosso amor.”

                Enfim, o livro é uma leitura lenta, algumas vezes complicada, e que exige muito da atenção do leitor. É um romance histórico, dramático, triste e muito realista. Pela postura da autora, já sabíamos que não podíamos esperar nada de tão bom ou perfeito para o final da obra; mas acho até que ela deu uma colher de chá e nos presenteou com o final mais feliz possível, diante todas as circunstâncias. Para aqueles leitores pacientes e que gostam de um drama histórico, acho que pode deixar de lado todas as criticas negativas que ouviu e se atirar de cabeça na estória do livro, lendo com cuidado (assim como eu fiz).
Nota: 7.5                             

10 comentários em “Resenha | Longe Daqui (Amy Bloom)

  1. Nunca ouvi falar desse livro. Mas parece legal, pela sua resenha. Fiquei curiosa agora: será que ela encontra a filha?

    Bom, se for pra ler Drama, que seja realmente drama, e não um drama camuflado. Apesar de não ser muito dramatico, parece bem legal ^^

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  2. Eu gosto de romances históricos, mas não fui com a cara desse ai. KKKKKKKKKKKKKK! POSSOFALAR? é personagem é doida né, é noiva do cara e ainda pega o pai dele, gente que crazy.
    Eu não gosto muito de dramas ;/ Sei lá não fui com a cara desse livro.

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  3. Nai, esse é o tipo de livro que eu gosto de ler raramente. São tristes demais e acabam me deixando mal também. Estranho né? Fiquei assim lendo o Caçador de Pipas, e tipo, essa cultura Ocidental *?* me corrija se me enganei, rsrs, é muito miserável 😦 Estou lendo Cruzando o Caminho do Sol, dps dele quero dar um tempo de livros tristes. Eles tem uma capacidade enorme de mexer com o leitor, Adorei sua resenha e digo : você escreve muito bem. Beijos

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